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terça-feira, 29 de setembro de 2009

27 de Setembro: resumo eleitoral





Conclui-se, com todo o espírito democrático, que o o povo português é burro e de compreensão lenta.
No quadro de honra da estultícia estão os portugueses que são jornalistas.


Esta coisada toda não tem remédio.

domingo, 12 de julho de 2009

O olhar de um cão II


Percebo-o muito bem.

Não nos rendemos. Não ficamos lamechas.
Desprezamos o ridículo da relação infantilóide.
Às vezes, simplesmente, cansa-nos, tolhe-nos os movimentos.

E outras, chega-se a deplorar a hora da afiliação.

Quando morrem, percebemos que éramos inseparáveis.

É ridículo, mas não queremos saber.




“ O olhar dum bicho comove-me mais profundamente que um olhar humano.

Há lá dentro uma alma que quer falar e não pode, princesa encantada por qualquer fada má.
Num grande esforço de compreensão, debruço-me, mergulho os meus olhos nos olhos do meu cão:
- tu que queres?
E os olhos respondem-me e eu não entendo...

Ah, ter quatro patas e compreender a súplica humilde, a angustiosa ansiedade daquele olhar!

- Afinal...de que tendes vós orgulho, ó gentes?



Diário, Florbela Espanca

quinta-feira, 9 de julho de 2009

A agenda política da PJ?




Por favor digam-me que não é verdade!


Digam-me que o processo instrutório do caso venda do edifício CTT em Coimbra só acabou agora porque … apareceram dados novos.


Digam-me que não é verdade que tenham esperado … esperado… e justamente nesta altura é que resolveram ouvir Carlos Encarnação, numa infeliz coincidência de agenda.


Digam-me que não se está a tentar equiparar o episódio do arrendamento da CMC para as instalações da AIRC, no dito edifício, com a situação dos políticos directamente envolvidos no caso da alegada venda prédio aos privados.


Digam-me que esses não voltaram a ser caçados pelos repórteres porque estavam a prestar serviço à comunidade em parte incerta.

Por favor digam-me isso!


E não me digam que a nossa Justiça afinal não é cega.

E não me digam que a PJ tem agendas políticas.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

O olhar de um cão

Mikhail Baryshnikov, o irrepetível





Genial e completo



Este não saiu por falta
de liberdade de meios.



Foi por falta
de liberdade nos fins.











Teve sorte.


Escolheu o lado certo do capitalismo.

domingo, 5 de julho de 2009

No 4 de Julho português, II


Convento de S. Francisco, Coimbra


Soube-se agora.
Finalmente, a requalificação do Convento de S. Francisco foi aprovada em definitivo.
Terminou a longa agonia burocrática, acabaram as incertezas.

Com a concretização deste projecto, da autoria de Carrilho da Graça, teremos – at last! - um grande auditório com mais de 1100 lugares, que tanto era preciso.
Além da recuperação do Mosteiro, será construída uma praça, entre outras funcionalidades a associar a este espaço, numa área de cerca de 27 mil metros quadrados.

Fica à Guarda Inglesa, bem enquadrado entre o Mosteiro de Santa Clara-a-Velha - que acaba de ser notavelmente reabilitado -, o Portugal dos Pequenitos e o Mosteiro de Santa-Clara- a-Nova.
E a um passo da Quinta das Lágrimas.

O investimento ronda os 30 milhões de euros.

Dois desejos:
- que as contas não derrapem
- que o arquitecto vigie a obra para além do papel ...

... não vá acontecer ao novo palácio dos congressos o mesmo que à sua obra da Pousada Flor da Rosa.
Materiais maus, degradação precoce, e a eterna dúvida – que me pus, no Crato - sobre onde foram então aplicados os dinheiros avultados ali investidos.
(?)

Julgamento sumário




O caso Maria João Pires tem muito que se lhe diga. Se quisermos.

De um lado, ouvem-se as vozes lamentosas do lobby da cultura (as do costume).
São sempre os mesmos, quem quiser que os compre.


Do outro lado, ouvem-se as vozes rabugentas e irritadas dos que têm mais que fazer.
São a maioria.

E são, realmente, o Portugal verdadeiro, onde tudo o que diz respeito à cultura é passado a pente grosso, e basta.

Aqui, a matéria merece, usualmente, dois níveis sucessivos de percepção.

Primeiro, vem 'o olho noveleiro': o da estória, dos acessos de mimo, das extravagâncias egoístas e dos bizarros ataques de 'prima-donnas' em geral, para quem não há pachorra.
Depois, vem o lado 'entendido', que vai curto e grosso ao fundo da questão, com alma empedernida de inspector de finanças. É a hora do veredicto frio e categórico, saído do súbito gestor iluminado que mora em cada português, quando a coisa não lhe toca por aí além.


É isso mesmo.
- O que tem o cidadão a ver com as queixinhas da pianista? Por acaso o assunto pertence-lhes?
- Temos pena, mas não! Peremptoriamente, não.

Se virmos bem, nem os opinadores de serviço parecem ver mais do que o nariz alcança.
E isso só significa que não conseguem encontrar no caso qualquer relevância estadística.


Exactamente.
Não há vozes políticas na cultura.


- Mas Portugal nunca mais tem remédio?!


No 4 de Julho português



As cidades são vulneráveis.
Perdem identidade.
A coisa começa-nos com os complexos. Cresce com os anticorpos de afirmação. Acentua-se num egoísmo feroz. Congela num sentimento snobe de não-pertença.

Queremos lá saber dela...

O mau governo do burgo trabalha as consequências.
É parcial e desune, não inspira ninguém.

O bom governo restaura a alma. Em gestos simples, como os dos afectos.
Não finge coesão. Mas contagia.

Ontem, na belíssima nova sala do Museu Nacional Machado de Castro, Maria Helena da Rocha Pereira recebeu a medalha de ouro da cidade de Coimbra, anos depois de ter sido já distinguida pelo Presidente da República com a Grã Cruz da Ordem Militar de San’Tiago da Espada e acumulado outros galardões de grande relevo nacional.
A primeira mulher doutorada numa faculdade portuguesa - que dá o nome, ela própria, a um prémio atribuído em sua homenagem -, grande figura das letras portuguesas e europeias, foi agora lembrada pela sua cidade.

Simples, elementar.
– Como é que ninguém acordara antes para isto?

O caloroso e interminável aplauso e a sua alegria genuína traduziram tudo quanto havia a dizer sobre o papel insubstituível da identidade local.
O cosmopolitismo, o verdadeiro, o mental, começa em casa de cada um, tratando bem - e tratando de ver bem - os nossos.
Mas julgamos que não.

Nos seus impecáveis 84 anos, bem ancorados no mundo real, a classicista dizia aqui há tempos:
“As raízes da cultura europeia estão na Grécia e em Roma, que depois as difundiu, e é nesse sentido que me agrada que se chame a atenção para estes assuntos. É uma falha grave que o Tratado de Lisboa omita qualquer referência a estas raízes”

domingo, 28 de junho de 2009

What happened to Camarate?



O atentado


Com o tempo, quase esquecemos outros casos intoleráveis de impunidade.

A certeza cristalina que nos postou num dos lados da barricada não se desvanece, mas está perto de ficar arrecadada num arquivo nostálgico de indignações assépticas.

É como reencontrar aqueles antigos namorados de má memória, cujas malfeitorias já nem recordamos e com quem ficamos, mais do que a rememorar, a comemorar imbecilmente.

Trinta anos depois, pomos futilmente as arrecadas e concedemos-lhes, frívolas, a absolvição da deslembrança.


Ao contrário do que dizem, isto é muito mau sinal.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Twenty two, eighty sevens



TODAY!


Go along, die hard, be wise, be you.






Heritage
Motherhood
Hidden bounds
Star coincidences

Foolish, dizzy thoughts

Hopeful teaser




As vinhas da ira



«Recebi menos do que esperava»








« : talvez esperasse mais do que lhe era devido.»

«Este capricho é um dos mais temíveis, pois dele nascem as iras mais perniciosas e mais capazes de atentar contra as coisas mais sagradas.»

Séneca

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Estou assim



Mary Waters



«Mas a Razão, que a luta vence, enfim,
Não creio que é Razão; mas há-de ser
Inclinação que eu tenho contra mim»

Blogómetro




Charla de verão que se solta é explosiva



domingo, 14 de junho de 2009

Quase All of Him





Espero que não tenham perdido, no CCB, segunda feira passada.
Um swing inebriante, num virtuosismo disciplinado e cheio de sentimento.

Laurent Filipe, 30 anos de carreira.
Um espectáculo inesquecível, mas sobretudo, muito trabalho, rigor e racionalidade à flor da pele.

Entre muitos outros, com o inevitável Pedro Sarmiento ao piano.

Paris, Brasil, USA, Lisboa.
Mas as raízes beirãs estão lá, numa recuada tradição familiar de vencedores, que só sucumbiu à inspiração artística quando a geração das 7 partidas já havia experimentado tudo.
Chegou agora a vez da colheita de 60.

Um grande músico.

sábado, 13 de junho de 2009

Political Stars não nascem do nada


José Manuel Durão Barroso


Manuela Ferreira Leite nunca lhe perdoou o abandono.

Já aí se percebia de que massa ela era feita, a tal mulher que jamais atiraria com a toalha ao chão.

Pessoalmente, nunca vi Durão Barroso na perspectiva redutora de chefe de um partido e de (eficaz) líder da oposição, em momentos especialmente difíceis.
Em política, tenho tendência a focar-me na pessoa, mais do que na sua circunstância.
Procuro sempre um pormenor empático para ponto de partida, e não nego que estes detalhes me agradavam sobremaneira. Afinidades remotas, mas que eram apenas um princípio de interpretação.


Depois, tenho muitíssimo boa memória.
Lembro-me dele em Genebra no Institut Européen, e de uma entrevista bem humorada que a mulher dava a certa altura a uma revista feminina bem cotada, em que relatava o seu dia-a-dia, o trabalho académico de ambos, as limitações financeiras e as boleias que apanhava para a faculdade com a mulher-a-dias.


Também me lembro bem da facção que encabeçou no seio do PSD contra Fernando Nogueira, para quem iam as minhas preferências de mera observadora. Perdeu muito bem – retenho isso como se fosse hoje.
Já então se intuía nele uma fibra bem diferente dos outros candidatos ao poder. Adivinhava-se um homem experiente e de horizontes mais largos, pouco atreito a jogos inúteis, que perseguia o essencial.
Não tinha o vício dos holofotes e, sobretudo, não demolia à toa.

Claro como água, quanto a estes aspectos.

Por questões de trabalho conheci-o bem antes daqueles episódios que antecederam a sua subida ao poder no PSD.
Corria o ano de 1991 e era ele Secretário de Estado dos Assuntos Externos e Cooperação. Aquilo que fixei, em vários momentos, foi a sua extrema capacidade de trabalho, a implícita (mas evidente) cultura de juspublicista – autêntica raridade num executivo… –, o ânimo construtivo, a pedagogia permanente da acção - de onde sobressaía um lúcido sentido de equipa -, a genuína bonomia e a ausência de quaisquer laivos de ostentação hierárquica ou tentação de estrelato.
Nada que impedisse o World Economic Forum de antever nele um global leader for tomorrow e um political star.

Para mim, que não era caloira nestas task forces nem me deslumbrei jamais à vista do manto do poder (devo confessar que, muito pelo contrário, estes cenários acordaram sempre o meu lado falsamente morigerado de Mafaldinha), ficou-me a demonstração do puro exemplo prático da good governance.

De tão estranha que era no meio, nunca mais esqueci.

Os portugueses, sempre pequeninos, não suportam que um indígena consiga ser maior do que eles.

Alteralidades ao poder



Piratpartiet


Destes aqui gostei!
O Partido Pirata Sueco somou mais de 7% dos votos para o PE e conseguiu eleger um deputado.
Desideologização do sistema?
Efeitos do pós-criticismo?
Individualismo libertário?

Daqui por uns anos acharemos isto ridículo.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Às arrecuas




Preparemo-nos.
Sob a declamação estentória de não abdicar do rumo traçado, os Forcados Amadores de S. Bento e o seu cabo da cara, José Sócrates, realinham-se e recuam contra a trincheira.
Não calcularam bem a força do bicho e foram às tábuas.

O respeito pelo toiro é muito bonito...

(Da tauromaquia para a vida real, só há uma diferença assinalável: a honra).

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Paulo Rangel



Bravissimo!

Paulo Rangel não é o homem providencial.
É simplesmente um homem com qualidades, muitas qualidades.
Aquelas que são imprescindíveis à res publica e que há muito pareciam ter-se eclipsado das hostes desta bancada de S. Bento.

A sua vitória teve um sabor indizível a frescura.
E fez-nos respirar de alívio, porque a falta de ar era muita.

Sim, certamente que os resultados dependeram em muito dos seus dotes pessoais.
Mas nada mais fizeram do que confirmar o sentido estratégico de Manuela Ferreira Leite.
Porque também eu aprecio - e muito - Marques Mendes. Mas subscrevo em absoluto o feeling da líder do PSD, ao perceber que nada poderia ser pior do que tirar da bainha as armas desgastadas de sempre. Isso seria dar aos adversários, de bandeja, a garantida eficácia da contra-propaganda.

- Agora?
Acho que ninguém sabe ao certo.

Mas não alinho na onda catastrófica que augura um insuperável impasse (quase sempre na tentativa de arranjar uma 2ª volta para a prova da falta de visão de MFL, ou de evidenciar que o PSD é um verdadeiro deserto de recursos humanos e valores seguros).

Manuela Ferreira Leite será, como sempre, discretíssima e, acima de tudo, permanecerá imune ao mesquinho brouhaha nacional.
Não resisto a dizer que isto é mesmo coisa de mulher...
Neste aspecto, o sexo fraco pode ser terrivelmente incondicionável, qualquer que seja o estilo: delico-doce ou belicoso.

Certo mesmo é que gente capaz não falta.
Não estão em bicos de pés, é verdade.
Mas isso rima na perfeição com Manuela.

O PSD precisa de convencer essa gente a aparecer.
E o primeiro teste será a composição das listas para a AR.

Talvez haja pouco tempo, ou talvez não.
Se os canitos em pele de lobo, esfomeados, forem neutralizados, pode não demorar muito.
E então, acredito que vamos ter muitas surpresas.

Assim ela consiga castrar todas essas sub-espécies de social-democratas, uns verdadeiros empatas, garanhões do vazio e do nada.
(Seria uma verdadeira resposta em espécie, completamente merecida).

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Manuela Ferreira Leite


Inabalável


Sempre soube que ela agregaria o melhor do PSD, formal ou informal
Sempre tive a certeza que, ou era ela, ou então os eleitores, que não são parvos, não se reconheceriam em oportunistas clonados de José Sócrates.
Nunca duvidei, por um segundo, que ela estivesse à altura da situação nacional.
Duvidei, sim, que os outros, lá dentro, estivessem à altura dela.

Teve tudo contra si:

É Mulher e Avó
Não exterioriza, não seduz, não pestaneja
Tem um forte sentido ético
Não serve interesses nem busca benesses
Detesta holofotes e culto de imagem
Não aceita cortejos
Não corre atrás do poder
Fala verdade
É quase imbatível em experiência e desgaste governativo
E possui uma chama, inimitável, raríssima em política nos dias actuais: serve o seu partido e é por ele que luta, contra os que se servem dele.

Teve isto tudo contra si e ainda o azar de liderar um partido minado pela mediocridade, nas cinzas de tempos maiores e de melhores pessoas, entregue aos caçadores de fortuna e a actores de terceiríssima categoria.

Mesmo assim, conseguiu.
Tudo se deve a ela.

E para o que se segue não podia haver melhor.