... o meu lugar ideal é no Quartier Latin, sentada, ao som de Brel, à conversa com Joyce que rabisca o Finnegans Wake e promete convencer Modigliani a pintar-me…
Gostei particularmente do essencial: a desconstrução do falso moralismo da esquerda, que se julga perpetuamente santificada pela bula revolucionária de Abril.
Foi um discurso recheado de denúncias muito familiares a quem viveu os anos de 75/80 nas faculdades e teve de se bater pelo direito de pensar à direita do PS e à esquerda dos conservadores.
Porque era exactamente assim que se actuava todos os dias, num trabalho de desmontagem cirúrgica, dedicado a destapar as carecas aos novos e auto-proclamados proprietários do regime.
José Pedro Aguiar-Branco, como muitos outros, passou por Coimbra. Mas criou laços.
E cá veio ontem, aqui onde se elegeram 5 delegados ao congresso, quatro por Paulo Rangel e um por Pedro Passos Coelho.
Diga-se que em Coimbra tudo é sempre curioso e fora da norma, para o melhor e para o pior...
Neste caso, a assistência era eclética – representativamente falando – mas muito atenta. E talvez por isso o ambiente fosse muito consciencioso (o ideal, quando se trata de receber alguém como ele e nas circunstâncias que o rodeiam).
Ao contrário de outros candidatos, José Pedro Aguiar Branco ganha imenso em ser ouvido em pessoa, sem os media de permeio e (sobretudo), sem os efeitos especiais do marketing político e o catalisador da máquina partidária que, de resto, não tem.
Eu já não precisava de ser convencida, mas só tive razões para confirmar o meu instinto.
Com ele não há um deslize, não há uma inconsistência, não há uma nota fora de tom. Simplesmente porque não pode haver disso quando se é genuíno e naturalmente frontal, sem excessos nem afectações.
Tudo bate certo com a maior facilidade. Tem uma craveira intelectual incontestável, ideias claríssimas, propostas sustentadas, energia e uma noção exacta de como estamos e do que nos espera.
Como dizia um ilustre histórico do PSD ao lado de quem eu estava, grande conhecedor da natureza humana e proverbial sintetizador, o José Pedro Aguiar Branco ‘tem alma’.
Ora isto está longe de ser um lugar comum, num político. É sinónimo de coisas raras como autenticidade, ressonância, energia inspiradora. A alma, sim. A alma de que os portugueses precisam antes mesmo de se levantarem do chão.
Será que poderemos dizer isto dos outros candidatos?
Vim de lá com a mesma surpreendente esperança que alimento de há muito pouco tempo a esta parte: a de que um PSD sadio possa voltar a aparecer por aí, um dia destes.
E vim de lá ainda com uma certeza absoluta: é que este ‘património’ humano que se chama José Pedro Aguiar Branco não pode perder-se de maneira nenhuma.
Que grande sorte seria tê-lo como primeiro-ministro de Portugal.
O Paulo Rangel tenta colar a candidatura de José Pedro Aguiar-Branco à de Pedro Passos Coelho, sabendo que tocará num ponto sensível do potencial eleitorado do primeiro (ou seja, de todos aqueles a quem PPC não convence).
Mas olhe que não, Paulo Rangel, olhe que não: as diferenças são enormes e evidentes.
Mais ou menos assim: a energia desarmante do bem, de um lado, contra a experimentada duplicidade do outro.
Sempre soube que ela agregaria o melhor do PSD, formal ou informal Sempre tive a certeza que, ou era ela, ou então os eleitores, que não são parvos, não se reconheceriam em oportunistas clonados de José Sócrates.
Nunca duvidei, por um segundo, que ela estivesse à altura da situação nacional. Duvidei, sim, que os outros, lá dentro, estivessem à altura dela.
Teve tudo contra si:
É Mulher e Avó Não exterioriza, não seduz, não pestaneja Tem um forte sentido ético Não serve interesses nem busca benesses Detesta holofotes e culto de imagem Não aceita cortejos Não corre atrás do poder Fala verdade É quase imbatível em experiência e desgaste governativo E possui uma chama, inimitável, raríssima em política nos dias actuais: serve o seu partido e é por ele que luta, contra os que se servem dele.
Teve isto tudo contra si e ainda o azar de liderar um partido minado pela mediocridade, nas cinzas de tempos maiores e de melhores pessoas, entregue aos caçadores de fortuna e a actores de terceiríssima categoria.